terça-feira, 1 de dezembro de 2009

79 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA


1852, com carinho e devoção
A essa época me reporto,
Começo a delinear
Com muita emoção
Convoco todos os mimosenses
Para ler esse cordel
E ficar a par da história desse chão.

Examinei livros revistas e jornais,
Percebi sentimento lindo e soberano,
Como falar daquele tempo
Sem sentir calor humano,
Depressão não existia
E nem se quer o tédio
Havia o ar puro! Santo remédio.

Assim nascia São Pedro do Itabapoana.
Vila tranquila, construída por inteira,
Por iniciativa de um barão do café
Manoel Joaquim Pereira,
Cidadão firme e trabalhador
Tendo a luta e o ideal para servir
Num projeto e desafio ao cumprir.

A povoação de São Pedro progrediu,
Também, o amor e a confiança,
Cresceu a paz, o comercio,
Tudo multiplica em clima de esperança,
São frutos do trabalho
Resultado da região
Onde todos eram irmãos.




1887 São Pedro crescia tanto... Tanto
Que perdeu até os seus encantos,
Sua identidade de vila chega ao fim,
Desliga de Cachoeiro de Itapemerim
E passa a denominar como Sede
Cidade de São Pedro do Itabapoana,
Cria-se a Câmara Municipal, pelo Projeto de Lei Provincial.

1892 alguns já pensavam em novo polimento,
Procurava-se uma posição geográfica
Para um centro comercial
De fácil desenvolvimento
João Pessoa indicado pelos barões
Que ajuntavam ouro com o rodo
E pensavam também no crescimento.

Recebeu os primeiros trilhos
Já era realidade a linha ferrovia,
Com certeza era grande impulso
No sustento da economia
Uns comentavam: Era arapuca armada
Para ver os barões contentes
E não embarcar em canoa furada.

1895 inauguram a ferrovia tão esperada,
Perspectiva e vontade de crescer,
O trem que já apita, chega e parte,
Leva e traz passageiros, boa sensação
Uns com medo rezam até o pai nosso
O bilheteiro pergunta: E esse menino é vosso?
Pega na mão da criança e diz: O guri é nosso.







Agora de alguns mimosenses vou delinear
Aos leitores me desculpe se eu não souber narrar,
Na inauguração da Estação ferroviária,
Muitos fatos aconteceram
De se arrepiar, do trem que já vinha ao longe
O coração dos ímpios batia forte,
Ficava apavorado, perecia ver a morte.


Seu Mané Sete e Zé Lingüiça corriam
Arnaldo Boca de Gamela e seu Ezequiel:
- Isso não e possível!
Um deles montou no burrico do seu Alípio
Homem trabalhador, o carroceiro,
Foi contar a novidade para o seu patrão,
Terras de gado, café, do barão fazendeiro.

Se meu chefe não acreditar,
O que acontecerá?
Na hora que esse trem passar.
Fazia tanto castelo no ar...
É ai que, pois a se lembrar
Que o seu patrão
Estava a viajar.

Sei que ele é meu amigo e meu patrão,
Gosta do que faço,
Não sou parado e nem bobão,
Mas tem gente que pensa mal de mim
Diz que sou puxa saco,
Eu creio que sou ligeiro,
É o meu semblante que parece pacato.






Imagina quando o trem passar
O gado do patrão vai se espantar,
E com isso alguns podem
Com o trem se atropelar.
E por isso que eu devo ir à frente,
Tocar a boiada...
Para que nenhum animal possa machucar.

Cinco horas depois...
De muito tentar...
Alguém comunicou com o dono da fazenda,
Contando todo o fato
Daquele empregado otário
Que lhe prestava serviço
A troca do salário.

Do outro lado da linha
O Chefe com dor no saco
Devido tal empregado
Ser chato, como carrapato
Mas disse a esposa do fazendeiro:
- Meu Deus que destino ingrato,
Perdoe esse empregado que vive em ti grudado.

Pede a ele explicação,
Como tudo isso aconteceu?
Na hora em que o trem passou,
E como foi que as cinco reses
Ele as matou;
A mulher falava... O fazendeiro suava,
Devido o forte calor.







Liga o ventilador...
A esposa ainda lhe diz:
Calma homem! Vou buscar o rezador,
Nesse mesmo telefone a manivela
O patrão a ironizar:
- Fala meu funcionário querido,
E o dito começou a bajular.

- Eu gosto muito do Senhor!
E tudo vou lhe informar,
Graças ao meu bom Deus
O trem não matou mais,
Por que amigos eu chamei pra me ajudar.
Ajudar como? Conte-me depressa
Pare de enredar.

Não patrão, sem rodeio e sem babar,
Vou tudo lhe contar,
Só seis cabeças ele matou,
Já pensou patrãozinho, se ele viesse de lado...
Ainda bem que ele veio de frente,
Se não mataria muitos bois, cavalos...
E também mataria gente.

A parteira, Dona Maria Felicina
Quase fica sem um dente,
Ela foi à casa de João Pelanca,
Para o café cortava a cana;
Foi isso ai mesmo meu patrão,
A máquina veio voando,
Passando-lhe de raspão.







Como falava o deputado
Justo Veríssimo
Grande gozador...!
Que nos deixou Estória
Essa massa está de um lado,
Mas vamos comentar a do outro,
Que também deixou recado.

Viva o homem, viva o caráter
Salve o capitão Ascanio Fernando
Cidadão respeitável e respeitado,
Nas festas cívicas da cidade
Bem visto bem vestido
Calça e camisa engomada
E o colarinho de ponta virada.

Então meu caro leitor,
Muitos homens em Mimoso brilharam,
Coronel Gamboa...
Autêntico chefe político,
Fazia e discursava...
Falava todo dengoso, e quando falava
“Tava falado”

Coronel Cesar Paiva
Fazendeiro na periferia
Voz gorda e bem-vinda,
Entrava na casa de Dona Joana,
Seu grito vinha com amor
- Vim tomar o seu café,
Ainda agora vou a Missa, na Matris de São José.







Prudêncio Arrabal,
Progenitor do famoso médico
Dr. Juca; grande José Arrabal!
Embreou-se na lista,
O melhor dramaturgo
Muita sensibilidade e insigne escritor,
Gonçalo pé de mesa, obra imortal.


Reporto-me a outra grande figura,
Evaldo Ribeiro de Castro
Próspero alfaiate de nossa história
Desde a sua juventude sua vida em festa e glória,
Pela promoção do footing domingueiro,
Na Rua da Estação, roupas que o próprio confeccionava
Para abrilhantar a era da exposição.


Minha amável cidade,
Todos seus Distritos sem distinção,
São histórias que o povo conta,
Fatos que as pessoas diziam
O vigor dessa cidade
Está na corrente dividida
Por suas quedas e subidas.


Em 1870, erguia-se gigante construção
Fazenda mimozo, o grande casarão
Grandes lavouras, muitos empregados
Tendo como patrão
Pedro Ferreira da Silva
Homem valente, nosso capitão
Economizava, pagava bem o seu irmão.




Tinha grande área de terras,
Cercada de estacas bem grossa,
Quando a chuva caia,
Seus lavradores voltavam da roça,
Tinha bois de carro,
Carro que os bois puxavam,
A roda rodava no eixo, e assim o carro cantava.

Cadê o boi mimozo?
Indaga o fazendeiro
Com carinho e dedicação
Eta boi danado de arteiro!
Arrebenta as cercas,
Quebra a canga, pula os vales,
Tira a paciência do carreiro.

Vai lá pra banda do garimpeiro,
Incomoda os vizinhos
Promove prejuízo, a quem plantou
E enche o saco de João Pessoa inteiro,
Mesmo assim tenho afinidade
Por esse boi bonito e jeitoso
Ele será sempre nosso fiel companheiro.

Certa ocasião chovia bastante,
O boi mimozo numa rua atolou,
Não importa o título de Dr.
Seu dono arregaça a calça
E na enchente entrou,
Corda na mão; descalço
E o animal desatolou







A pesar das pistas, a história não narrou,
Se o nome do boi influenciou,
Para que no futuro a cidade já pensada
Pelos donos do barão do café
Seria a cidade depositada
Pelo coronel do dinheiro
Que a cidade o recebia como herdeiro.

1930 força e coragem
Avançam além das fronteiras
Numa emboscada, dia 02 de novembro,
Parece que até a data pensaram a escolher,
Não iam encontrar barreira, pareciam ladrões,
Pois respondiam com soldados armados, e,
Por um comboio de 13 caminhões.

Os São Pedreses, estavam na Santa Missa
Reverenciavam seus mortos,
Nem podiam imaginar
Que aquela paz ia se quebrar,
Uma tremenda confusão,
Rente á casa do Zé Callil.
Quando um estampido acertou o sino e um barril.

Na ladeira, uns subiam, outros desciam,
As mulheres apavoradas: “Cuidado Dona Maria!”
Pegavam seus filhos e os a escondiam,
Uma missionária toca o sino,
Pede socorro e ajuda do divino
Tudo sendo saqueado,
Pelos vizinhos revolucionários.







Dentre todas sem reclamar,
A bravura da mulher heroína,
Ao seu lado só o civismo,
Ninguém para lhe ajudar
Parecia sozinha, naquela revolução,
Contra uma força bem aramada
Soldados de um batalhão.

Os moradores desatinados,
As janelas e as portas das casas batiam,
Guerra sem sangue, mas brutal
Colocando pavor nas pessoas
Puramente emocional,
Documentos públicos sendo roubados,
Em nome do progresso nacional.

Foi assim o triste marco!
Da Sede Municipal,
Sem alma e sem memória,
Que em nossos dias
Presta-lhe homenagem
Com o festival
De sanfona e viola.

1933 após o golpe, a cidade João Pessoa
Passa a ser reconhecida
E entra em cena...
Alimenta-se de esperança,
Destemida, abre em si
E o progresso começa a fruir,
Tendo como vizinho Cachoeiro de Itapemerim.







Cercada de montes,
Entre vales e serras,
Contam a nossa história
Colunistas, intérprete e escritor
Pedro José Vieira
Nomeado como interventor,
E o povo ainda clama, nosso muito obrigado.

1935 João Pessoa, então;
Elege pelo Partido da Lavoura,
Em eleição...
Seu primeiro Prefeito eleito,
O mesmo, Pedro José Vieira
Peça do mesmo jogo
Rumo a educação.

Nossa história política segue adiante
São pessoas amigas
Sementes desse chão
Luiz de Lima Freitas
Jasson Martins de Araujo
Anibal Ataíde de Lima
Todos têm bom coração.

1943 David Fidalgo Ferreira,
Inicia a sua administração
Troca o nome da cidade
Atendendo pedidos de compadres
Moradores dessa região,
Atletas de sovaco cheiroso
E assim nasceu Mimoso.







Até aos nossos dias atuais
Vários administradores
Sentaram-se na cadeira executiva:
José Fernandes Tâmara,
Carlos Figueiredo Cortes,
Rubens Rangel
Almejavam uma visão administrativa.


João Maximiano Guarçoni,
Olimpio José de Abreu,
Darcy Francisco Pires, e,
Domingos Serenari Guarçoni,
Fernando José Coimbra de Resende,
Democracia de uma mesma sinuca,
Transparência da mesma arapuca.

Pedro José da Costa
Benedito Silvestre Teixeira,
Ronan Rangel,
José Carlos Coimbra de Resende,
Decepções de consciência,
Nas praias do mesmo mar,
Balançaram na hora do eleitor voltar.

Ocupou a cadeira
A primeira Prefeita mulher,
Por confiar demais
Alguém lhe passou prá traz,
Luta entre superiores se deu,
Apanha mas não trai,
Dessa forma não se reelegeu.






2009; 79 anos de nossa emancipação política,
Novos rumos, novos fatos, novas fotos,
Flávia Cysne passa a faixa executiva,
Ângelo Guarçoni, vem de berço político e ação,
Família tradicional em nossa terra natal, e,
Ocupa a cadeira municipal, seus eleitores pedem:
Não seja Saco do mesmo chão.

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Publicou 3 livros: Santo Antonio Descendente de Corpo Inteiro, Insinuações Poéticas, Duelo e Perdão, Participou dos livros: Antologia Escritores Brasileiros - 6º Edição e Galeria Brasil 2009. Com apoio do SEBRAE e FAOP - Federação de Artes de Ouro Preto - MG, pesquisou e historiou o resgate Folclórico "As Pastorinhas" onde foi editado o Catálogo "Bacia do Rio Itabapoana". É membro efetivo da APOLO - Academia Poçoense de Letras e Artes, ocupa a cadeia nº 54.

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