sábado, 27 de junho de 2015

RESGATANDO A HISTÓRIA DE MIMOSO DO SUL



Até a metade do século XX foi um elo de referência para a publicação de trabalhos sobre as plantas medicinais brasileiras, sendo Mimoso do Sul um marco nessa história.

No presente trabalho, as citações referenciadas da Revista da Flora Medicinal Editada em São Paulo.

 O Laboratório da Flora Medicinal foi oficialmente fundado no Rio de Janeiro em 23 de março de 1912 pelo médico mimosense José Ribeiro Monteiro da Silva com o nome de ‘J. Monteiro da Silva & Cia’. O nome ‘Flora Medicinal’ só foi incorporado à razão social da empresa quase meio século depois, desde a sua fundação a expressão ‘A Flora Medicinal do Dr. J. Monteiro da Silva’ fosse amplamente usada.

 Nasceu em 1863, em Mimoso do Sul de uma família tradicional vinda de Minas Gerais, fez o curso primário onde nasceu.

Formando-se em medicina em 1887 na Escola de Medicina do  Rio de Janeiro. O doutor Monteiro da Silva, como era conhecido, era um homem rico, cafeicultor, dono de fazendas em Mimoso do Sul. Herdadas de seus progenitores.

Segundo (Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, em 1920 foram recenseados na cidade de São Pedro do Itabapoana 726 imóveis rurais, destes 47 pertenciam ao proprietário, Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva.
Respectivamente, nome e localização dos imóveis e quantidade: Água Limpa 5, Belo Monte 11, Bela União 3, Boa Esperança 1, Cachoeirinha 2, Capoeirão 2, Córrego das Almas 1, Ilha 1, Palmeiras 15, São Pedro 1, Sossego 5. Também era proprietário de terras em Minas e imóveis no Rio de Janeiro.

Assim, a Flora Medicinal não era simplesmente mais um empreendimento comercial, mas uma forma em  que o médico encontrou para disseminar e comprovar o poder curativo das plantas brasileiras. O seu interesse pelas plantas medicinais surgiu durante as longas caminhadas pelas florestas e matas da região onde nasceu e residiu na fazenda ‘Belmonte’. 

José Ribeiro Monteiro da Silva era filho do fazendeiro Carlos Ribeiro da Silva e de Francisca de Paula Monteiro da Silva, ambos de famílias tradicionais. 

Discreto, reservado, de hábitos rígidos no trabalho e na vida pessoal e totalmente avessa à vida social, sua formação. Sem descendentes, (a esposa morrera prematuramente e os dois filhos morreram ainda garotos), diretos, voltou-se inteiramente para a vida profissional e para o estudo das plantas medicinais. 

Monteiro da Silva via nas plantas medicinais uma forma de medicina alternativa, acessível à maioria da população humilde do país. Apesar da sua fortuna, José Ribeiro deixou claro, durante as comemorações do Jubileu da Flora Medicinal, que o pequeno capital necessário para a criação daquele laboratório foi oferecido por um comerciante de uma modesta casa de plantas verdes e secas. 

Durante esse período, a Flora Medicinal expandiu em 100 vezes o comércio de plantas medicinais brasileiras. No Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, ele publicou dezenas de artigos onde não só descrevia as qualidades das plantas medicinais brasileiras, mas também ensinava como prepará-las. 

Quando o Laboratório foi fundado, já se conhecia muito da química das plantas mimosenses mais utilizadas, mas o valor terapêutico ainda estava baseado nas tradições populares, O referido armazenamento das ervas era um enorme galpão na Rua Joaquim Leite Guimarães, hoje é edificado a residência do casal Oton e Oreny Guimarães Oliveira.

O pai de Dona Oreny Coordenava a Equipe que preparavam as folhagens: Eram secas e ensacadas. Banana Santo-Me era moída, depositada em barris de madeiras e enviadas por via férrea, para o laboratório no Rio de Janeiro.

Em 1920 a fazenda  do Mimoso, conforme o recenseamento pertencia ao Sr. Gervásio Ribeiro Monteiro da Silva, irmão do médico. Que também produzia ervas.

Perguntada a Dona Oreny se o referido médico chegou usar essa medicina no município de Mimoso, ela respondeu que não tinha informações, mais que se lembra de sua mãe, que apanhava ervas para o tratamento de verminoses, e outras doenças.

 A ideia de Monteiro da Silva era transformar a crendice das plantas medicinais numa verdadeira ciência. Os primeiros produtos registrados pela Flora Medicinal foram a Agoniada, laboratório era proveniente das próprias fazendas que José Ribeiro possuía em Mimoso do Sul, mas ele também fornecia plantas in natura para outros laboratórios, farmácias e boticas.

O laboratório foi inicialmente instalado no sobrado do número 38 da Rua São Pedro, mas logo se expandiu, ocupando o pavimento superior e em seguida todo o prédio ao lado. Neste local, os médicos atendiam os pacientes e prescreviam medicamentos fitoterápicos que eram adquiridos ali mesmo. Era uma antiga prática das boticas que ressuscitava.

A partir de 1936, o laboratório onde eram preparados os medicamentosos, mudou-se para a Rua Barão de Petrópolis, no bairro do Rio Comprido, embora a parte administrativa permanecesse no centro da cidade.

Em 30 de novembro do mesmo ano, o Prefeito do Rio de Janeiro, Olímpio de Melo, nos termos do Decreto 104, declarou o Laboratório da Flora Medicinal como sendo de utilidade pública, com todas as implicações que isso provocava.

Em 1943, após permanecer mais de 40 anos no mesmo local, a administração, os consultórios e a redação da Revista da Flora Medicinal foram transferidos para o número 195 Rua Sete de Setembro.  

A empresa era quase familiar. Manoel de Carvalho, cunhado de Monteiro da Silva, era chefe do laboratório; seu irmão, Gervásio, era o administrador da fazenda  Mimoso  e responsável pela remessa das plantas para o Rio de Janeiro; José Monteiro de Rezende, sobrinho do fundador da empresa e farmacêutico por formação, era sócio minoritário.

Além disso, enviava regularmente remessas de fitoterápicos e plantas para os Estados Unidos, China, Paraguai, Holanda e Inglaterra. Em propaganda veiculada na sua revista, o laboratório declarava estar pronto a fornecer qualquer quantidade de plantas medicinais e industriais para exportação.

O Laboratório da Flora Medicinal não se limitava ao lado comercial com a produção de fitoterápicos.

Em outubro de 1934, foi lançada a Revista da Flora Medicinal e em 1936 foi instituído o Prêmio Dr. J. Monteiro da Silva, destinado aos trabalhos publicados sobre plantas medicinais brasileiras.

“José Monteiro da Silva estava convencido de que: “A Flora Medicinal crescerá ainda mais com o seu Laboratório para o preparo de seus produtos e pesquisas de novos vegetais, tornando cada vez mais racional o estudo de nossas plantas” e concluía:” Iniciativa de brasileiros, é um padrão de capacidade. 

Com o seu falecimento, em 1958,  assumiu a administração da empresa José Monteiro de Rezende e a empresa entrou em período de crises sucessivas, sobrevivendo graças aos consumidores fiéis que confiavam no valor dos fitoterápicos.

A situação ficou ainda mais difícil com a morte deste em 1960; e a Flora Medicinal entrou em gradual declínio. A situação chegou ao limite de saturação e da continuação da própria empresa. Em 1982, o Laboratório da Flora Medicinal foi vendido com todo o seu patrimônio estrutural, incluindo marcas e patentes, para Raimundo Correa Gomes, ex-comerciante do ramo de ferragens e material de construção.


Em São Paulo; José Monteiro da Silva, havia recebido do Laboratório da Flora Medicinal,   11 prêmios pelos Editoriais publicados.

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Publicou 3 livros: Santo Antonio Descendente de Corpo Inteiro, Insinuações Poéticas, Duelo e Perdão, Participou dos livros: Antologia Escritores Brasileiros - 6º Edição e Galeria Brasil 2009. Com apoio do SEBRAE e FAOP - Federação de Artes de Ouro Preto - MG, pesquisou e historiou o resgate Folclórico "As Pastorinhas" onde foi editado o Catálogo "Bacia do Rio Itabapoana". É membro efetivo da APOLO - Academia Poçoense de Letras e Artes, ocupa a cadeia nº 54.

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