segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ACIDENTE COM RODA-GIGANTE - MEMÓRIAS

FATOS DE MIMOSO DO SUL
Protagonista e autor: Renato Ribeiro dos Santos – 1959


Como todo bom domingo, principalmente em cidade do interior, no dia 15 de novembro, amanheceu nublado; naquela época, ficávamos excitados pela possibilidade de irmos ao cinema ou ao parque de diversões. A escolha, naquele dia foi fundamental.
Onde hoje é as instalações da AABB. Existia um grande descampado, com uma construção inacabada do que seria uma indústria de laticínios. Estas ruínas serviam de abrigos para vários mendigos.
Neste descampado, cuja entrada era em frente à Casa Kafuri, ao lado da casa da Dona Cecília Lima, uma excelente costureira, como a minha mãe, geralmente eram montados os parques de diversões, circos, tendas de ciganos, etc.
Em novembro de 1959, eu tinha 10 anos, e meu irmão, Carlos Ribeiro dos Santos tinha 9. Morávamos na Rua Siqueira Campos, em frente ao Clube dos Operários, (Centro Cívico Rural Classista) e éramos coroinhas, sempre obedecendo à censura dos filmes, que era afixado semanalmente na porta da igreja de São José.
Neste dia saímos de casa decididos a ir ao cinema (hoje Teatro Stênio Garcia). Mas lembramos que o filme era censurado pela igreja e pedimos à nossa mãe para ir ao parque de diversões, onde estava armado uma enorme roda-gigante.
Como era domingo, o filme seria o dia  da tarde (matine). O dinheiro reservado para o filme foi transformado em entradas para a roda-gigante, e assim fizemos. O fato é que já eram quase 18 horas, e estávamos nos divertindo muito no parque, sem perceber que o tempo já estava se fechando. Criança não repara isto. Enquanto, a nossa irmã, Geísa, com o Lúcio Tadeu, (também nosso irmão), no colo, passou pelo parque e gritou para que fôssemos para casa, dizendo que íamos levar uma surra da mamãe. Ela já estava percebendo que vinha muita chuva. Quem disse que obedecemos?
Num dado momento, quando estávamos justamente no ponto mais alto, faltou energia. Até então era tudo diversão. Mas o tempo passou e a energia não voltava. Foi aí que começamos a perceber que as pessoas adultas estavam pulando da roda-gigante, escalavam a armação e desciam pelas ferragens. O dono, ou o gerente do parque, não tinha um braço e caminhava de um lado para o outro, dando aparência de está muito nervoso, gritava aos berros para que também escalássemos a roda-gigante para descer. Talvez motivado pela escuridão ele não notava que eram duas crianças, uma de 10 e outra de 9 anos, que estavam no ponto mais alto da roda... Como descer?
Foi quando começamos a ouvir um barulho que vinha da direção da Rua da Serra. Era um vendaval com uma força mais de 150 k.por hora... E o vento começou a soprar e nos atingir, com uma força brutal, vimos que as barracas onde vendia ingressos iam sendo levadas... Era uma fúria horripilante. Lembro-me ainda que vi, junto com a chuva vinha voando pelos ares, tampa de caixa d”água do hotel, perto da casa do Sr. Rubens Rangel.
A grande roda então começou a tremer bastante; meu irmão se encolheu na cadeira, enquanto eu me segurava na barra de segurança. O pavor tomou conta de mim e comecei a sentir a roda estremecer e a se contorcer. A partir daí, não vi mais nada...
Sobre os fatos ocorridos a partir deste momento, quem me contou foi o Carlos, que ao se encolher na cadeira, foi arrancado pelo vento, antes da grande roda tombar ao chão, me levando junto.
O Carlos foi, carregado pela ventania e jogado sobre os trilhos de trem da Leopoldina, batendo de peito nos trilhos e com a cabeça na chave da linha. Muito machucado, conseguiu se arrastar, debaixo de chuva e do vento que nessas alturas já amenizava um pouco. Ainda não havia o retorno da energia, Ele se arrastava rente ao muro da casa de dona Cecília Lima.
         Neste momento, a roda-gigante já havia caído e eu estando no meio de suas ferragens todas contorcidas.  Tendo um cabo de aço me pressionando o pescoço e com a perna direita esmagada. E lá fiquei durante muitas horas. Segundo informações, no escuro e na chuva, desacordado.
Dizem que Chico Aurélio foi o primeiro a me socorrer, Ele usou seu caminhão, na bateria uma fiação com uma lâmpada, e o local foi iluminado, permitindo que eu fosse resgatado, ainda inconscientemente,
Levaram-nos para o hospital Apostolo Pedro, ao chegar, tive um instante de lucidez, mas voltei a perder os sentidos. Fiquei por vários dias. Soube depois que Carlos, ao ser examinado, fez menção de quem mais precisava de ajuda era eu. Grande irmão!
Resultado da brincadeira: O Carlos fraturou duas costelas e a cabeça, e, eu fiquei com o pescoço todo roxo e duro, por mais de 15 dias e com a perna direita esmagada, (Sem haver qualquer fratura, e os movimentos das penas voltando 30 dias após.
Os médicos que cuidaram de mim e o mano. Foram os Doutores Lincoln e o Dr. Côrtes.
A noticia que chegou em casa para a minha mãe foi a seguinte:
“- Dona Dalva, seus filhos caíram da roda-gigante e estão mortos...”
- Agradeço a Deus e ao Chico Aurélio

Renato Ribeiro dos Santos


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Publicou 3 livros: Santo Antonio Descendente de Corpo Inteiro, Insinuações Poéticas, Duelo e Perdão, Participou dos livros: Antologia Escritores Brasileiros - 6º Edição e Galeria Brasil 2009. Com apoio do SEBRAE e FAOP - Federação de Artes de Ouro Preto - MG, pesquisou e historiou o resgate Folclórico "As Pastorinhas" onde foi editado o Catálogo "Bacia do Rio Itabapoana". É membro efetivo da APOLO - Academia Poçoense de Letras e Artes, ocupa a cadeia nº 54.

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