sábado, 1 de outubro de 2011

O MOINHO DE FUBÁ



Na fazenda havia um moinho que moía os grãos de milho tornando-os um alimento precioso, o fubá.

Minha avó, Dona Minervina, ficava irritada quando os moradores da vila iam fora do expediente fazer a troca de milho pelo fubá; e o que ela solicitava aos seus clientes que obedecessem á hora certa do funcionamento.

Certo dia o Sr. João Padela ia em direção ao moinho, com um pouco de milho num saco jogado às costas.

Fingi que não o vi, pois queria ver a cara da vovó, pois já passavam das 17 horas. Dei uma volta por traz do prédio do moinho e fiquei a espioná-lo, porque há cinco minutos antes vovó acabara de subir com a chave do moinho, encerrando suas atividades naquele dia.

Não deu outra coisa. A vovó desceu como uma jararaca, resmungando:

- Eu já cansei de avisar a vocês para que não venham muito tarde.

O Senhor João Padela, tentou se desculpar:

- Cheguei da roça agora, Dona Minervina.

- E então você acha que eu fico vagabundando o dia inteiro?

Comecei a rir da cena a qual presenciava, aproximei mais do moinho, sem que eles percebessem.

Havia um enorme caixote de madeira, onde o moinho jogava o fubá que havia moído.Ainda um pouco, de longe; observei que deveria ter pouco fubá no fundo do caixote, pois vovó começou a raspar o fundo, e ela fez mais um pouco de esforço, com a metade do corpo debruçada sobre o mesmo; de repente, ela escorrega e acabou caindo de cabeça para baixo, com as pernas para cima, balançando-as. Começou a gritar:

- Ó João, acuda-me, acuda-me por favor!!!

João Padela, que muito respeitava a velha, colocou uma das mãos nos olhos e com a outra começou a apalpar para ir ao seu encontro e tirá-la daquela situação desagradável!

Acredito que vovó deveria estar com a cara entre o fubá, pois o que falava não dava para compreender. Gritou ainda:

- Ó João, larga de besteira e me tire daqui.

- Se a senhora usasse calça, ficaria mais fácil para mim. Replicou João Padela.

João tirou a mão dos olhos, e com um salto bruto, agarrando-a e a puxou. Eu que assistia aquilo tudo, morria de tanto rir; dali sai correndo, aproximei mais da cena e nem perceberam minha presença. Curioso para saber o desfecho do fato ouvi o que vovó falava:

- Não quero mais tocar nesse assunto.

João Padela, obedecendo, mudou o rumo da conversa e Dona Minervina perguntou:

- O Alci vai fazer uma festa em sua casa na semana que vem?

- Mas como? A senhora já sabe? Replicou João.

Dona Minervina, uma senhora de 86 anos, tinha boa saúde; enxergava até demais e sabia tudo o que ocorria na vila. Quando falava alguma coisa, "tava falado", ninguém poderia dizer o contrario; e continuou falando com João Padela:
O Alci é demais, não tem um pingo de juízo, o menino é realmente danado, certo dia foi levar comida para o pai, e os empregados, no caminho encontrou um bêbado, este o pediu um pouco de comida. Você acredita que Alci tirou um pouco de cada marmita e ofereceu ao homem. Ele adora falar de festas, teatros e escrever bobagens de estórias. Trabalhar na roça não gosta, diz que roça não dá futuro e as vezes quando ia ajudar a executar qualquer tarefa só fazia atrapalhadas.

Ao ajudar a plantar o milho, cada empregado o fazia dentro de uma cuia, olha o que Alci aprontou. Na várzea havia muitas rãs, pegava e colocava dentro das cuias, e as cobriam com os grãos de milho, Angelina e Ana, empregadas da fazenda ia pegando as sementes e plantando, até encontrar com as rãs, estas davam saltos, e certa ocasião uma rã caiu dentro da blusa de Ana. As mulheres davam gritos de pavor e ao termino de cada dia, Alci ia à frente, e nos trilhos pegava as ´pontas de capim angola e os amarravam, pontas com pontas, de ambos os lados do trilho. As empregadas não percebiam e tropeçavam no capim, armadilha perfeita para ir ao chão, e ele ficava rindo das mulheres.

João Padela, percebeu que vovó conversava muito só com o propósito para esquecer o acontecido. Pegou o saco com fubá joga às costa e despede. Quando ele já estava alguns metros de distância, Dona Minervina grita:

- Se você contar a alguém esse incidente, vou dizer que quem caiu dentro do caixote foi você.


Do livro "Santo Antonio Descendente de Corpo Inteiro" Texto adaptado para a peça teatral.

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Publicou 3 livros: Santo Antonio Descendente de Corpo Inteiro, Insinuações Poéticas, Duelo e Perdão, Participou dos livros: Antologia Escritores Brasileiros - 6º Edição e Galeria Brasil 2009. Com apoio do SEBRAE e FAOP - Federação de Artes de Ouro Preto - MG, pesquisou e historiou o resgate Folclórico "As Pastorinhas" onde foi editado o Catálogo "Bacia do Rio Itabapoana". É membro efetivo da APOLO - Academia Poçoense de Letras e Artes, ocupa a cadeia nº 54.

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