Até a metade
do século XX foi um elo de referência para a publicação de trabalhos sobre as plantas medicinais brasileiras, sendo Mimoso do Sul um marco nessa história.
No presente
trabalho, as citações referenciadas da Revista da Flora Medicinal Editada em
São Paulo.
O Laboratório da Flora Medicinal foi
oficialmente fundado no Rio de Janeiro em 23 de março de 1912 pelo médico
mimosense José Ribeiro Monteiro da Silva com o nome de ‘J. Monteiro da Silva
& Cia’. O nome ‘Flora Medicinal’ só foi incorporado à razão social da empresa
quase meio século depois, desde a sua fundação a expressão ‘A Flora Medicinal
do Dr. J. Monteiro da Silva’ fosse amplamente usada.
Nasceu em 1863, em Mimoso do Sul de uma família
tradicional vinda de Minas Gerais, fez o curso primário onde nasceu.
Formando-se
em medicina em 1887 na Escola de Medicina do Rio de Janeiro. O doutor Monteiro da Silva,
como era conhecido, era um homem rico, cafeicultor, dono de fazendas em Mimoso
do Sul. Herdadas de seus progenitores.
Segundo
(Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, em 1920 foram recenseados na
cidade de São Pedro do Itabapoana 726 imóveis rurais, destes 47 pertenciam ao
proprietário, Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva.
Respectivamente,
nome e localização dos imóveis e quantidade: Água Limpa 5, Belo Monte 11, Bela
União 3, Boa Esperança 1, Cachoeirinha 2, Capoeirão 2, Córrego das Almas 1,
Ilha 1, Palmeiras 15, São Pedro 1, Sossego 5. Também era proprietário de terras
em Minas e imóveis no Rio de Janeiro.
Assim, a
Flora Medicinal não era simplesmente mais um empreendimento comercial, mas uma forma em que o médico encontrou para disseminar e comprovar o poder curativo
das plantas brasileiras. O seu interesse pelas plantas medicinais surgiu durante as longas caminhadas pelas florestas e matas da região onde nasceu e residiu na
fazenda ‘Belmonte’.
José Ribeiro Monteiro da Silva era filho do fazendeiro
Carlos Ribeiro da Silva e de Francisca de Paula Monteiro da Silva, ambos de
famílias tradicionais.
Discreto, reservado, de hábitos rígidos no trabalho e na
vida pessoal e totalmente avessa à vida social, sua formação. Sem descendentes,
(a esposa morrera prematuramente e os dois filhos morreram ainda garotos),
diretos, voltou-se inteiramente para a vida profissional e para o estudo das
plantas medicinais.
Monteiro da Silva via nas plantas medicinais uma forma de
medicina alternativa, acessível à maioria da população humilde do país. Apesar
da sua fortuna, José Ribeiro deixou claro, durante as comemorações do Jubileu
da Flora Medicinal, que o pequeno capital necessário para a criação daquele
laboratório foi oferecido por um comerciante de uma modesta casa de plantas
verdes e secas.
Durante esse período, a Flora Medicinal expandiu em 100 vezes o
comércio de plantas medicinais brasileiras. No Jornal do Comércio do Rio de
Janeiro, ele publicou dezenas de artigos onde não só descrevia as qualidades
das plantas medicinais brasileiras, mas também ensinava como prepará-las.
Quando o Laboratório foi fundado, já se conhecia muito da química das plantas
mimosenses mais utilizadas, mas o valor terapêutico ainda estava baseado nas
tradições populares, O referido armazenamento das ervas era um enorme galpão na
Rua Joaquim Leite Guimarães, hoje é edificado a residência do casal Oton e
Oreny Guimarães Oliveira.
O pai de
Dona Oreny Coordenava a Equipe que preparavam as folhagens: Eram secas e
ensacadas. Banana Santo-Me era moída, depositada em barris de madeiras e
enviadas por via férrea, para o laboratório no Rio de Janeiro.
Em 1920 a
fazenda do Mimoso, conforme o recenseamento
pertencia ao Sr. Gervásio Ribeiro Monteiro da Silva, irmão do médico. Que também
produzia ervas.
Perguntada a
Dona Oreny se o referido médico chegou usar essa medicina no município de
Mimoso, ela respondeu que não tinha informações, mais que se lembra de sua
mãe, que apanhava ervas para o tratamento de verminoses, e outras doenças.
A ideia de Monteiro da Silva era transformar a
crendice das plantas medicinais numa verdadeira ciência. Os primeiros produtos
registrados pela Flora Medicinal foram a Agoniada, laboratório era proveniente
das próprias fazendas que José Ribeiro possuía em Mimoso do Sul, mas ele
também fornecia plantas in natura para outros laboratórios, farmácias e
boticas.
O
laboratório foi inicialmente instalado no sobrado do número 38 da Rua São
Pedro, mas logo se expandiu, ocupando o pavimento superior e em seguida todo o
prédio ao lado. Neste local, os médicos atendiam os pacientes e prescreviam
medicamentos fitoterápicos que eram adquiridos ali mesmo. Era uma antiga prática
das boticas que ressuscitava.
A partir de
1936, o laboratório onde eram preparados os medicamentosos, mudou-se para a Rua
Barão de Petrópolis, no bairro do Rio Comprido, embora a parte administrativa permanecesse no centro da cidade.
Em 30 de
novembro do mesmo ano, o Prefeito do Rio de Janeiro, Olímpio de Melo, nos
termos do Decreto 104, declarou o Laboratório da Flora Medicinal como sendo de
utilidade pública, com todas as implicações que isso provocava.
Em 1943,
após permanecer mais de 40 anos no mesmo local, a administração, os consultórios e a redação da Revista da Flora Medicinal foram transferidos
para o número 195 Rua Sete de Setembro.
A empresa
era quase familiar. Manoel de Carvalho, cunhado de Monteiro da Silva, era chefe
do laboratório; seu irmão, Gervásio, era o administrador da fazenda Mimoso e responsável pela remessa das plantas para o
Rio de Janeiro; José Monteiro de Rezende, sobrinho do fundador da empresa e
farmacêutico por formação, era sócio minoritário.
Além disso,
enviava regularmente remessas de fitoterápicos e plantas para os Estados Unidos, China, Paraguai, Holanda e Inglaterra. Em propaganda veiculada na sua
revista, o laboratório declarava estar pronto a fornecer qualquer quantidade de
plantas medicinais e industriais para exportação.
O
Laboratório da Flora Medicinal não se limitava ao lado comercial com a produção
de fitoterápicos.
Em outubro
de 1934, foi lançada a Revista da Flora Medicinal e em 1936 foi instituído o
Prêmio Dr. J. Monteiro da Silva, destinado aos trabalhos publicados sobre
plantas medicinais brasileiras.
“José
Monteiro da Silva estava convencido de que: “A Flora Medicinal crescerá ainda
mais com o seu Laboratório para o preparo de seus produtos e pesquisas de novos vegetais, tornando cada vez mais racional o estudo de nossas plantas” e
concluía:” Iniciativa de brasileiros, é um padrão de capacidade.
Com o seu
falecimento, em 1958, assumiu a administração da empresa José Monteiro de Rezende e a empresa entrou em período de crises
sucessivas, sobrevivendo graças aos consumidores fiéis que confiavam no valor
dos fitoterápicos.
A situação
ficou ainda mais difícil com a morte deste em 1960; e a Flora Medicinal entrou
em gradual declínio. A situação chegou ao limite de saturação e da continuação da própria empresa. Em 1982, o Laboratório da Flora Medicinal foi vendido com
todo o seu patrimônio estrutural, incluindo marcas e patentes, para Raimundo
Correa Gomes, ex-comerciante do ramo de ferragens e material de construção.
Em São
Paulo; José Monteiro da Silva, havia recebido do Laboratório da Flora Medicinal, 11 prêmios pelos Editoriais publicados.
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